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O botão
vermelho

O atual estágio de desencanto com o país e com os políticos pode levar a um caminho perigoso. É o que podemos chamar de um botão vermelho. O eleitor pode querer acionar esse dispositivo para acabar com tudo, porque está cansado, exausto de pagar tantos impostos, enojado com a corrupção.

O sentimento é legítimo e pode mover o eleitor para a indignação. Porém, a questão é o que fazer com essa indignação. Acionar o botão vermelho, negar a política e escolher o retrocesso. Porque depois de acionar esse botão vermelho, vamos continuar precisando dos serviços públicos. Os alunos têm de continuar frequentando as escolas, as famílias precisam dos hospitais, todos necessitam das polícias.

Esse botão vermelho – não vale a pena aqui nominar – é o mesmo que uma revolução Bolchevique. A destruição de uma sociedade para a construção de outra. Uma visão conservadora protege as instituições. Estamos falando da democracia representativa. Sou contra qualquer retrocesso que nos leve a regimes autoritários.

Estamos insatisfeitos com os rumos da política, sim. Agora, é pela própria política que vamos mudar as coisas. As reformas vão acontecer de dentro da própria estrutura estatal, que estará sob a pressão da sociedade.

Os políticos são sensíveis à pressão da sociedade. Os regimes autoritários, não. Eles esmagam a sociedade, aparelham ou destroem os outros poderes e censuram a imprensa. Não importa o símbolo que esses ditadores levem em suas bandeiras. Ditadores são ditadores.

Para isso, não podemos abrir mão da via democrática, do Estado de direito, da diversidade de opiniões. Democracia é isso. O Brasil é isso. A urna não pode ser um botão para a destruição de tudo o que existe. Mas o início de um aprimoramento. Valorize o seu voto. Vamos mudar o Brasil pelo caminho certo.

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