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O recado
está dado

A paralisação dos caminhoneiros, entre outras nuances, foi um recado. E um recado muito bem dado do setor produtivo aos políticos. Chegou-se ao limite. A categoria chegou ao seu limite para operar. E a população também. A mensagem foi contundente e dura. O governo tentou dar uma solução provisória ao impasse. Até porque não podemos manter estradas bloqueadas e as cidades, desabastecidas. Porém, nenhum remendo resolve o problema.

Esta crise, na verdade, é um rosário de erros. Erros históricos de vários governos. E a Petrobras está no centro desses erros. Gosto de lembrar uma frase de Roberto Campos: “Se a Petrobras é eficiente, não precisa do monopólio. Se ela não é eficiente, não o merece”. O monopólio da maior estatal brasileira é um convite à ineficiência e à corrupção.

O monopólio é habitat natural da corrupção. Por isso, sou daqueles que defende que um sistema essencial como óleo e gás tenha a pluralidade, diversidade, seja saudavelmente influenciado com a livre concorrência. É a livre concorrência que permite a busca da eficiência. Assim, conta-se cada tostão, cobra-se austeridade. Tudo diametralmente oposto ao panorama brasileiro do setor.

A política de preços da Petrobras é uma política de perdas. Ao subsidiar a gasolina, obrigava-se a companhia a arcar com o prejuízo, porque não acompanhava os preços internacionais. O rombo da Petrobras só aumentou com a gestão criminosa dos governos do PT. Nós estamos pagando a conta do Petrolão. Todos os sobrepreços de refinarias e navios-sonda estão se fazendo presentes. Uma gestão mais séria da empresa necessitou seguir os preços internacionais. Há um erro aí na condução. Até porque ninguém pode suportar aumentos contínuos. É preciso determinar prazos mais alargados para que toda a cadeia produtiva e logística possa se organizar adequadamente.

Outra questão a ser colocada é a composição do preço dos combustíveis. Nada menos que 44% do custo é formado por impostos federais e estaduais. Qualquer solução séria e definitiva para essa questão tem de passar pela simplificação tributária. Pagamos caro. Isso não é novidade. A carga tributária é a cruz que o Brasil carrega.

Outro ponto é o monopólio de refino. A Petrobras tem de competir com outras empresas. Essa competição vai fazer bem a ela e aos consumidores. Porque o povo brasileiro precisa manter um elefante com uma estrutura inchada, dispendiosa e ineficiente.

Sim, o recado dos caminhoneiros foi dado. A solução momentânea está posta. Agora, temos de viabilizar um país mais livre economicamente. Mais capitalismo, menos monopólios. Com um país mais eficiente, teremos mais combustível para impulsionar o Brasil. Precisamos de um choque de livre mercado.

Não podemos admitir uma instrumentalização política do movimento. É o momento de soluções. Pensar na população. Nas eleições, vamos dar nossa opinião política. A data é 7 de outubro. Antes disso, é oportunismo.

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