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Quem guarda
os guardiões?

A pergunta acima é atribuída a Sócrates, mas não vamos iniciar uma discussão filosófica aqui. Lancei mão desse questionamento emblemático para ilustrar o nosso caos na segurança pública. Mais especificamente a situação dos riscos (excessivos) aos quais estão submetidas as nossas forças de segurança.

É muito perigoso ser policial no Brasil. Segundo dados do Monitor da Violência, 385 policiais foram mortos em serviço no ano passado. Essa é mais uma amostra de que a paz no Brasil parece uma fachada. Como podemos nos considerar uma nação estável com índices de homicídios na casa dos 61 mil mortos e uma taxa de solução desses casos que não passa de 8%?

Nos EUA, o Fundo Nacional para Autoridades Policiais divulgou que 128 policiais morreram no cumprimento do dever em 2017. Já na Argentina o número é de 39 no mesmo período, de acordo com o Centro de Estudos Legais e Sociais.

Os policiais brasileiros não estão apenas sob um risco físico, mas moral também. A própria integridade das corporações é continuamente questionada por partidos políticos, artistas e parte da mídia. Por que o lado do bandido é tão rodeado de glamour? Por que ser policial tem de ser sinônimo de violento e antidemocrático? As perguntas não vão encontrar respostas satisfatórias dentro dos currais do politicamente correto.

O mesmo Monitor da Violência, no entanto, emprega muita energia para abordar os números de mortes em ações policiais. Chegou-se a mais 5 mil em 2017. Não sou adepto da máxima “bandido bom é bandido morto”. Eu defendo a lei: “bandido bom é bandido preso”. Baixos salários, enfrentamentos com bandidos melhor armados, stress, pressão. Todo esse caldo de problemas leva a um panorama de alta letalidade combinada com elevada mortalidade.

Temos de usar esses números para entender onde o nosso sistema precisa melhorar. Será que a separação de polícias civil e militar é a mais correta? Será que um comando municipal não poderia ser mais eficiente? Será que não devemos fortalecer os agentes locais? São questões que precisamos debater. O governo federal, por sua vez, tem a maior parte dos recursos, mas historicamente não cumpre a sua parte. Há décadas, sofremos com drogas e armas que entram por fronteiras terrestres e marítimas, além das invasões ao espaço aéreo.

A proteção dos nossos protetores passa por um entendimento dos nossos sistemas policial, prisional e judiciário. Não dá para colar na testa de cada policial uma suástica nazista e tratá-lo como inimigo do povo. Isto é infantil e ineficaz. Os policiais precisam do nosso apoio. Eles arriscam as suas vidas por todos nós.

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