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Toda força
ao município

O Brasil tem o nome oficial de República Federativa do Brasil. Isto é o que país deveria ser, mas está muito longe da realidade. O que temos é um país de poder centralizado, cuja capital detém a maior parte dos recursos e distribui conforme mandam as corporações e seus interesses.

Isso passa pela discussão do pacto federativo. Temos de pensar melhor como está determinada a autonomia de cada unidade da federação. Os estados e municípios têm de suportar a maior parte das demandas dos cidadãos, mas não arrecadam os recursos necessários. A fome arrecadatório de Brasília acaba por sugar demais de sociedade para suprir, na verdade, as suas próprias necessidades. São muitos salários elevados, auxílios e privilégios para pagar.

Por isso, defendo muito o prefeito e o vereador. São eles que estão ao lado do cidadão. E sabem onde falta saneamento, moradia, eletricidade e segurança. Posso aqui fazer uma relação direta com a empresa que liderei por muito tempo, a Riachuelo. Cada gerente de loja tem a autonomia e os recursos para resolver as demandas dos clientes. Não precisar vir à diretoria geral pedir permissão. Precisamos entender que a concepção do Estado brasileiro (União, estados e municípios) tem de reproduzir a mesma lógica.

É de se admirar o modelo americano. Lá os estados têm autonomia para legislar conforme a sua comunidade determina. Alguns podem oferecer impostos mais competitivos para atrair empresas. Outros têm modelos tributários específicos. Também existem lugares com leis de trânsito que não se repetem no estado vizinho. Isto sim é o protagonismo do indivíduo. Ainda mais em países tão grandes. Até porque o que vale para um lugar pode não servir para outro.

Quando se fala em governar com os prefeitos, não se trata de fazer conchavos políticos. Os municípios precisam ter acesso a recursos de forma sustentável e contínua. Uma agenda de reformas precisa contemplar as cidades. É lá que vivem os clientes das unidades básicas de saúde, das creches, das escolas e das forças de segurança. Um governo centralizado tende à corrupção, ao autoritarismo e à injustiça. Já um Estado que dá força ao município, na verdade, está prestigiando o próprio cidadão.

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