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Um escândalo
brasileiro

Podemos escutar os mais variados juristas, com todas as vertentes e as mais variadas justificativas. Todos irão tentar te convencer de que estão com a razão. Porém, eu duvido que exista um cidadão de bem que se conforme com as saídas temporárias de presos no Brasil.

O caso mais escandaloso é o de Suzane Von Richthofen, condenada por participar e ser mandante do assassinato dos pais. Condenada a 39 anos de prisão, ela foi beneficiada pela saída neste ano. No ano que vem, passará para o regime aberto. Os juristas vão dizer que estamos falando de um caso isolado, enquanto 26 mil pessoas são beneficiadas e podem estar em contato com as suas famílias. E, portanto, caminham para a socialização.

Outros especialistas afirmam que estas saídas também servem para reduzir a população carcerária. Não é nada tão eficiente assim. Até porque o retorno dos detentos é de 96%. Estamos, na verdade, diante de uma questão moral. Não é possível que alguém que tenha arquitetado a morte dos próprios pais possa ser beneficiada por uma celebração familiar. Daqui a pouco vão dizer que ela tem direito à herança porque não existe relação entre o crime e o seu direito hereditário.

Na mesma medida em que é terrível no ambiente prisional, a lei brasileira concede benefícios demais, inclusive para crimes graves. É preciso repensar essa ideia generosa de regimes de saída temporária, indultos, progressões até o regime semiaberto.  A sensação de quem cumpre a lei é de que o crime compensa.

Não se trata de tratar Justiça como vingança, mas é preciso dar aos crimes o peso de uma pena correspondente. Precisamos nos libertar dessa ditadura do politicamente correto e dizer a verdade: os criminosos precisam ficar presos.

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