Artigos

Um país
de fingimentos

A ideia aqui é fazer uma reflexão sobre o que está em torno da queda do edifício Wilton Paes de Almeida. Não se trata de fazer a exploração da tragédia. Mas entender do que está em redor de um drama humano, social e até de gestão da coisa pública. Temos um estado de fingimentos. O Estado faz de conta que presta serviços ao povo e os movimentos encenam uma luta por moradia.

O cenário é de um fingimento generalizado. O resultado aparente é do incêndio e da queda de um prédio. Uma construção que era um marco arquitetônico da cidade, propriedade estatal abandonada e uma invasão com um viés muito mais político do que social. Não vou ficar citando nomes ou siglas. Não quero alimentar a indústria do vitimismo e da hipocrisia. Aliás, tão próspera em nossos dias.

As famílias sem moradia são, evidentemente, o elo mais frágil dessa corrente. Temos aí um agravante: temos muitos estrangeiros. Isto é, pessoas que estavam em condições dramáticas em seus países de origem e vieram tentar uma vida nova. Essas famílias se tornam vítimas de verdadeiras milícias com roupagem social. Nos casos das comunidades carentes, as milícias tomam conta de seguranças, gás e TV a cabo clandestina. Nas invasões, as famílias pagavam para ter aquela moradia precária. Mas para onde ia o dinheiro? Para melhorar as condições do lugar é que não era.

Por outro lado, tem o papel do Estado. Nesse caso, estou falando municípios, estados e União. A sequência de erros nessa questão é escandalosa: má gestão de patrimônio, lentidão na venda ou destinação do imóvel, leniência com invasões, vista grossa com as condições das construções, entrada ilegal de estrangeiros em condições de risco e possível operação do crime organizado. Tudo isso é um castelo de cartas, que nos levou a essa tragédia. Pode não ser a única. O mesmo movimento que cuidava dessa invasão no Largo do Paissandu tem outras invasões em São Paulo. Outras “bombas” estão prestes a explodir na cidade, também com outros movimentos “milicianos”.

E o que teremos agora? Os poderes estatais vão tentar resolver de forma atabalhoada. Famílias vão ser colocadas pelos movimentos para servirem de escudo. Daí consegue-se deslegitimar o trabalho de quem defende a lei. Não satisfeitos com a bagunça já estabelecida, vão aparecer artistas com vídeos infames para defender a causa, mas sem chegar perto dos pobres. De quem eles preferem manter certa distância. O problema aumenta, vira notícia internacional e ninguém resolve nada.

Todos fingem que estão fazendo algo. Estado e movimentos. Mas onde está o propósito? A quem eles servem? No fim das contas, o povo de verdade convive com lixo e muitos riscos. A vida deles é descartável. São as baixas aceitáveis para conseguir capital político. Isso demonstra que uma nuvem de vergonha e hipocrisia tomou conta do país. Precisamos mandá-la embora. Os brasileiros querem ver o sol novamente.

«   Voltar