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Venezuela,
sem meias palavras

Não adianta escolher palavras suaves. Temos de ir direto ao ponto. A Venezuela está vivendo uma ditadura, com uma tragédia humanitária e um desastre econômico.

A liberdade foi violentamente atacada no país vizinho. Imprensa livre se tornou coisa do passado, enquanto opositores sofrem violência e até são presos. Muitas vozes foram caladas, inclusive com a cumplicidade de governos brasileiros. Partidos de esquerda fecham os olhos para tudo o que vem acontecendo lá e ainda exaltam a “liberdade” do povo venezuelano.

Que liberdade é essa? Na última eleição, a abstenção superou 54%. Nicolas Maduro se reelegeu com ampla vantagem e muitas dúvidas. A oposição reclama de fraude e compra de votos. Não é exagero. Havia uma “tenda vermelha” ao lado dos postos de votação. Essa tenda servia para cadastrar o carnê da pátria dos votantes e lhes prometer um dinheiro a mais (não passaria de US$ 2). É clássico foto de cabresto. Impossível não questionar um processo desses.

No âmbito econômico, é quase o fim do mundo. O salário mínimo da Venezuela é de 1,3 milhão bolívares, o equivalente a R$ 130 ou US$ 36,6.  Com isso, só dá para adquirir três quilos de carne. Nada mais. Pelo menos 600 mil pessoas cruzaram a fronteira da Colômbia e 50 mil vieram para o Brasil, pelo estado de Roraima.

A queda do PIB está estimada em 15% e a hiperinflação chegará a inacreditáveis 13.000%, segundo o FMI. Isso não é brincadeira. Uma das economias mais prósperas da América do Sul está derretendo.

A verdade é que Nicolas Maduro e seu mentor, Hugo Chávez, não estão sozinhos como causadores do desastre venezuelano. O Brasil foi um apoio importante, inclusive defendendo a sua entrada no Mercosul. Rússia e China também são suportes para o regime. A primeira vende armas a Maduro e a segunda compra petróleo.

O Brasil reconheceu o resultado da eleição com nova vitória de Maduro. É importante sermos uma verdadeira liderança regional e, claro, pensar nos interesses nacionais. O povo do país vizinho está sofrendo a maior crise da sua história. Temos de ser firmes em nossas posições e humanos para lidar com essa tragédia.

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